O Essencial:
- Engenharia Sem Rival: O sensor de 1 polegada com lente retrátil e a teleobjetiva dupla comutável criam imagens que destroem a barreira entre telemóveis e câmaras profissionais.
- O “Não-Problema” do Software: A ausência de Google nativo é ultrapassada em minutos pois o EMUI 15 é robusto e corre as apps essenciais sem os bloqueios do passado.
- Luxo Pesado: A construção em pele vegana e o módulo triangular gritam exclusividade mas exigem proteção imediata para salvaguardar o investimento mecânico.
A chegada do Huawei Pura 80 Ultra ao meu bolso não foi apenas mais uma troca de cartão SIM para um teste de rotina. Foi um desafio direto aos meus preconceitos e, provavelmente, aos teus. Existe uma narrativa instalada no mercado de que os smartphones Huawei são equipamentos limitados ao nível de software porque não são “Android puro”. A minha experiência intensiva com este equipamento provou-me que o problema não está no software mas sim em não nos darmos ao trabalho de o conhecer.
Eu próprio custei a acreditar na fluidez da transição. Funciona da mesma forma, tem o mesmo aspeto visual e não faltam as aplicações essenciais que usamos todos os dias. Se me disserem “ah, mas não tem todas”, eu respondo prontamente que a Apple também não tem todas e ninguém se queixa. A grande surpresa para muitos vai ser perceber que o software, longe de ser um entrave, é uma plataforma madura. É um telemóvel grande e pesado, sem dúvida, mas para quem quer qualidade absoluta no resultado final não se pode queixar.
Confesso que tive algum receio inicial de o deixar cair e tratei-o quase como um bebé nas primeiras 48 horas. Mas nada que uma boa capa anti choque não resolva em três tempos para nos dar a confiança necessária. A câmara é o ponto de diferenciação neste equipamento e o principal motivo que justifica o preço, a dimensão e o peso. A Huawei tem vindo a apostar tudo na qualidade dos produtos e nas tecnologias que entrega e não está a ser nada fácil para as concorrentes acompanharem este ritmo. Este Huawei é a prova viva disso. Vale o dinheiro se o teu foco é obter as melhores fotos que conseguires tirar com um equipamento que não te ocupe mais do que o espaço do bolso.

O design premium do Huawei Pura 80 Ultra exige proteção para evitar sustos
Quando pegas no Pura 80 Ultra, sentes imediatamente que tens na mão algo diferente do habitual retângulo de vidro e metal. Não é apenas um telefone, é uma afirmação de estatuto e de engenharia industrial. O acabamento traseiro em pele vegana com o padrão em relevo (que a marca chama de padrão xadrez ou estelar dependendo da versão) não serve apenas para ser bonito nas fotos de produto. Ele oferece uma aderência tátil que o vidro frio nunca conseguiu dar e resolve o eterno problema das impressões digitais e da gordura que sujam os topos de gama da concorrência após cinco minutos de uso.
O módulo das câmaras é enorme, triangular e impõe respeito. Inicialmente pode parecer estranho e desequilibrado, mas rapidamente percebes que aquela ilha não está ali por acaso ou por capricho do designer. Ela alberga uma quantidade ridícula de tecnologia ótica e motores mecânicos. O peso do equipamento é notável e o equilíbrio na mão tende ligeiramente para o topo devido às lentes, mas é um compromisso que eu aceito de bom grado pela performance fotográfica que recebo em troca.
A proteção frontal é garantida pelo Crystal Armour Kunlun Glass de segunda geração. A marca promete uma resistência a quedas 100% superior e uma resistência a riscos 300% maior do que a geração anterior. Apesar desta promessa de durabilidade militar, eu recomendo vivamente o uso de uma proteção extra. Estamos a falar de um investimento de 1499 euros e proteger este património é uma questão de bom senso financeiro. Um detalhe que merece aplauso é a manutenção da certificação IP68. Conseguir tornar um telemóvel com uma lente que entra e sai resistente à água e poeira é um feito de engenharia notável que demonstra a qualidade de construção da Huawei.
A câmara retrátil com sensor de 1 polegada desafia as leis da física
Para entenderes porque é que este telemóvel custa tanto dinheiro, tens de olhar para a física e não para o marketing. A maioria das marcas vende-te megapíxeis vazios, mas a Huawei vende-te tamanho de sensor e luz real. O Pura 80 Ultra incorpora um sensor principal de 1 polegada com uma lente retrátil mecânica. Isto não é apenas um truque visual engraçado para impressionar os amigos no café quando abres a aplicação.
Na fotografia, existe uma regra de ouro que a maioria dos fabricantes tenta ignorar: sensores maiores precisam de maior distância focal para projetar a imagem corretamente sobre a superfície do sensor. É ótica básica. As outras marcas tentam resolver isto aumentando a espessura total do telemóvel ou criando “ilhas” de câmara fixas que parecem tijolos. A Huawei optou por engenharia mecânica de precisão. Quando abres a aplicação da câmara, ouves um zumbido mecânico satisfatório (parece os lasers do StarWars!) e vês a lente estender-se fisicamente dentro da objetiva.
Este movimento cria a distância necessária para que o sensor de 1 polegada “respire” e capture luz de uma forma que nenhum sensor estático de 1/1.3 polegadas da concorrência consegue. O resultado é uma captação de fotões massiva e uma relação sinal-ruído muito superior. Isto traduz-se em fotografias noturnas que parecem ter sido tiradas de dia, com ruído quase inexistente, e num alcance dinâmico que recupera detalhes nas sombras onde outros telemóveis apenas veriam preto.



Além disso, temos a abertura variável física. Ao contrário da abertura fixa da maioria dos smartphones, este sistema permite fechar o diafragma mecanicamente de f/1.6 até f/4.0. Isto é crucial porque num sensor tão grande a profundidade de campo é naturalmente muito curta. Se tirares uma foto a um prato de comida com abertura máxima f/1.6, apenas uma batata fica focada e o resto fica em “bokeh” (desfoque). Ao fechares para f/4.0, consegues ter tudo focado com uma nitidez natural ótica e não através de algoritmos de inteligência artificial que muitas vezes falham nos recortes. Podes aprofundar o teu conhecimento sobre o impacto do tamanho do sensor na qualidade de imagem para perceberes tecnicamente porque é que esta característica é tão vital.
A teleobjetiva dupla comutável muda a forma como captamos detalhes à distância
Se a câmara principal é uma evolução lógica, a teleobjetiva é uma revolução completa. A Huawei implementou o que chama de Teleobjetiva Dupla Comutável e é, na minha opinião, a característica mais subvalorizada deste equipamento. Tradicionalmente, os topos de gama como o S25 Ultra usam duas lentes separadas para zoom: uma para 3x e outra para 10x. O problema dessa abordagem é que usam sensores diferentes, com qualidades diferentes, resultando em cores inconsistentes quando mudas de câmara.
Aqui, a Huawei usa o mesmo sistema periscópico e o mesmo sensor de alta qualidade para ambas as distâncias focais. Um sistema de lentes móveis dentro do túnel periscópico ajusta-se para alternar entre o zoom ótico de 3.5x e o zoom de 10x. Isto garante uma consistência de cor e de qualidade de imagem absoluta. Quer estejas a tirar um retrato a dois metros ou a fotografar um detalhe arquitetónico no topo de uma catedral, a textura e a colorimetria são idênticas.


A capacidade macro desta lente teleobjetiva é outro ponto que me deixou boquiaberto. O sistema de “focagem flutuante” permite focar objetos a apenas 5 cm de distância com uma ampliação que chega aos 35x em modo macro. Ao contrário das macros normais que usam a lente grande angular e obrigam-te a colar o telemóvel ao objeto (tapando a luz com a própria sombra), aqui podes estar afastado e captar detalhes microscópicos de insetos ou texturas de tecidos com uma nitidez cirúrgica.


A experiência com EMUI 15 e a instalação de Apps essenciais sem serviços Google
Vamos ser brutalmente honestos sobre o software e matar o elefante na sala. O medo de comprar um Huawei em 2025 por causa da falta de Google Nativo (GMS) é, na sua grande maioria, infundado e fruto de desinformação ou preguiça. O EMUI 15 (versão global) é visualmente idêntico ao Android que conheces. A barra de notificações, as definições, a navegação por gestos, tudo está onde o teu cérebro espera que esteja.
A AppGallery evoluiu imenso e hoje alberga a grande maioria das aplicações bancárias portuguesas, as apps do governo (id.gov.pt), e serviços essenciais. Para tudo o resto, o sistema integra soluções nativas que encontram e instalam as APKs oficiais de forma segura e verificada. Mas a verdadeira “magia” acontece com a integração de ferramentas como o microG.
Hoje em dia, o sistema facilita a instalação destes serviços de tal forma que podes ter o YouTube, o Gmail, o Google Maps e o Google Drive a funcionar quase nativamente, com o teu login feito e a sincronização ativa. A experiência é fluida e transparente. Eu uso o WhatsApp, o Instagram, o Spotify e o MB WAY diariamente sem qualquer falha ou erro estranho. As notificações chegam a tempo e horas, algo que era um problema no passado e que foi totalmente resolvido.

Existem limitações? Sim, não vou mentir. O Android Auto nativo continua a não funcionar devido à exigência de privilégios de sistema profundos que o Google bloqueia ativamente. Os pagamentos por aproximação diretos com a Google Wallet também não dão, mas contornei isso facilmente usando o MB WAY e a Carteira da Huawei com cartões compatíveis como o Curve. Se conseguires viver sem o Android Auto no painel do carro, a experiência é 99% idêntica a qualquer outro Android de topo. Se já estás no ecossistema da marca, recomendo que consideres o Huawei Watch GT6 Pro, pois a integração entre estes dispositivos é perfeita.
O processador Kirin 9020 garante performance de topo e carregamento ultra rápido
O motor deste “monstro” é o processador Kirin 9020. Embora em benchmarks sintéticos possa não atingir os picos teóricos de um Snapdragon de última geração, no uso real a fluidez é absoluta. A otimização entre o hardware próprio e o software da Huawei é comparável à da Apple com o iOS. Não notas bloqueios, não notas aquecimento excessivo (exceto em vídeo 4K prolongado) e a gestão de multitarefa é exímia. A bateria de 5200 mAh beneficia de uma tecnologia de ânodo de silício-carbono que permite maior densidade energética num corpo fino.
E quando precisas de carregar, o SuperCharge de 100W muda a tua vida. O carregador vem na caixa (algo que as outras marcas “premium” deixaram de fazer) e carrega 50% da bateria em cerca de 15 minutos. Podes acordar, ligar o telemóvel à carga, tomar um duche e vestir-te, e tens bateria para o dia todo. O carregamento sem fios de 80W é igualmente impressionante, embora obrigue à compra de um carregador específico com ventoinha de arrefecimento.



Veredicto: Vale a pena o investimento no Huawei Pura 80 Ultra?
O Huawei Pura 80 Ultra não é um telemóvel para quem quer o caminho mais fácil e aborrecido. É uma ferramenta de precisão para quem valoriza a imagem acima de tudo. O preço de 1499 euros coloca-o no topo da cadeia alimentar, competindo diretamente com o iPhone 17 Pro Max e o Galaxy S25 Ultra.
No entanto, se analisarmos friamente o hardware, percebemos para onde vai o dinheiro. Tens a melhor câmara do mercado e isso não é subjetivo, é validado pela física do sensor e pela engenharia da lente retrátil. Tens uma construção de luxo e uma inovação mecânica que nenhuma outra marca teve a coragem de trazer para o mercado global.
Se o teu foco é a fotografia e estás disposto a dedicar 15 minutos iniciais para configurar as tuas apps, este equipamento recompensa-te diariamente com resultados que vais querer imprimir e emoldurar. A Huawei provou que, mesmo encostada às cordas politicamente, continua a ditar as regras da inovação tecnológica. Este telemóvel é a prova de que a qualidade do resultado final justifica qualquer curva de aprendizagem.



Review Huawei Pura 80 Ultra
Huawei Pura 80 Ultra-
Relação Preço/Qualidade4/5 BomO preço é elevado (1.499 €), mas justificado pela engenharia exclusiva da câmara. A desvalorização potencial e a falta de GMS retiram um ponto à perfeição.
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Design5/5 ExcelenteArrojado e luxuoso. O acabamento em pele vegana e o módulo distinto "Forward Symbol" conferem-lhe uma identidade única e premium.
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Tecnologia5/5 ExcelenteO mecanismo retrátil e o sensor de 1 polegada são o auge da engenharia móvel. O carregamento de 100W e o ecrã LTPO completam um pacote técnico irrepreensível.
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Vanguarda5/5 ExcelenteA Huawei lidera onde outros estagnaram. A teleobjetiva dupla comutável num único sensor é uma inovação que define o futuro da fotografia móvel.
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Sustentabilidade4/5 BomA durabilidade do vidro Kunlun e a inclusão do carregador na caixa são pontos positivos, apesar da complexidade de reparação do mecanismo móvel.
Prós
- Qualidade fotográfica inigualável (Sensor 1" Retrátil).
- Carregamento ultra-rápido 100W (carregador incluído).
- Ecrã de excelência e construção robusta em pele vegana.
- Oferta de lançamento (Watch GT 5).
Contras
- Preço proibitivo para a maioria dos consumidores.
- Ausência de Android Auto nativo.
- Dimensões e peso consideráveis.